quinta-feira, 7 de maio de 2009

Será que tá afim?


"Eu sinto a falta de você, me sinto só e aí será que você volta?" (Vanessa Rangel)

Os apertos, os tropeços, os amores. Cheguei a escrever que a corda estava esticada demais e o esforço pra não soltar ela estava enorme. Guardei. E hoje seguro com mais força do que nunca. Vale a pena fazer guerra, enfrentar desafios e ter o teu abraço como recompensa. Vale a pena sentir teu cheiro depois de meses ouvindo no máximo sua voz. Quero compensar tudo que perdemos longe quando te vejo. Quero saber te fazer feliz da forma mais intensa. Quero corresponder a tanto carinho, a tanto amor.

Tô afim de amor antes de tudo. Afim de querer querer contigo. De andar junto pelo shopping, de pegar um cineminha no meio da semana só pra ouvir você repetir as frases do filme. Sentar contigo na praça ali em frente e perceber que os olhares alheios não me interessam tanto. Admirar o sorriso que me faz apaixonar e morder teu pescoço sabendo que você vai no céu com isso. Tô afim de encarar isso como uma verdade minha, como uma proposta de felicidade, um caminho de realização. De ser abraçado debaixo da coberta e falar no seu ouvido 'te amo', só pra você não esquecer. Escrever no espelho embaçado uma declaração bobinha, mas que consiga arrancar um riso seu. Chorar pensando que amanhã acaba, mas entender que continua algo bem mais valioso. E quando pensar que acabou, me dar conta de que só está começando. Tô afim de arrancar suspiros com a gente, de irradiar felicidade.

Afinidade, estímulo, vontade de seguir. Caminhar longe, mas de corações trocados. Você cuida do meu e eu cuido do seu. Porque nem vale a pena destrocar, ele só encontra felicidade em suas mãos. Enquanto a regra entedia no comum, a exceção da minha vida se faz em você.

Texto de Patrick Moraes

sexta-feira, 27 de março de 2009

Em quadros coloridos

"Uma parte de mim é permanente,
Outra parte se sabe de repente.
Uma parte de mim é só vertigem,
Outra parte, linguagem."
(Adriana Calcanhotto)


O novo universo se abre. Parece que o segredo não existe mais e a transparência fica mais clara do que nunca. Surgem amizades, surgem novos contextos. Sinceridade acima de tudo, pra saber que aquele papel fica ali, estático e dinâmico ao mesmo tempo. Em dimensões distintas de pensamentos e oratória. O baú abre aos poucos a tampa e de repente os anéis de brilhante escondidos no fundo aparecem. Cuidar dessa nova jóia é a missão daqui pra frente. Agora é esperar pra ver se o que reluz é ouro. E os outros (pré)desejos? Pra quem não sabe, por trás de uma ação sempre existe uma intenção. É melhor separar as coisas, porque misturada vai azucrinar demais o juízo.

De parte em parte se consegue montar os melhores vitrais. E na vida não pode ser diferente. Cada cor encaixa da forma mais harmoniosa e cada reflexo do espelho traduz os inconstantes sentimentos da alma. Etapas não foram feitas para serem puladas, muito menos parar é a saída. Será que consigo convencer e mudar aquela resposta mais evidente? "Nem mentir, nem impor, apenas persuadir". Talvez as respostas fixas fujam da teoria, talvez sejam refutáveis e encontrem hipóteses mais interessantes e confirmadas. "Quando a gente quer, a gente sempre dá um jeito".

Que chova mais, que entardeça mais.
Mas que comece o outono, para assim a pelagem (re)fazer as criações íntimas.

Texto de Patrick Moraes

segunda-feira, 23 de março de 2009

A distância de um janeiro


"There's a chemistry, energy, a synchronicity" (Corinne Bailey Rae)

Perco os sentidos e até o senso quando penso em futuro. Os sonhos parecem ultrapassar a realidade e me tiraram os pés, a cabeça voa sem conseguir impôr limites nessa aventura. Esqueço que amanhã o sol vai nascer, a cidade vai se movimentar, aquele velho ônibus vermelho desce a ladeira e a rotina volta. Nem sempre é tão simples, nem sempre é tão fácil! Até pra fazer loucuras aprendi a analisar melhor. Engraçado como o tempo nos amadurece aos poucos.

Os janeiros me fazem tanta falta. Acho que esse é, definitivamente, o meu mês. Imaturo, impensado, imprevisível, INCRÍVEL. As férias me libertam, o sol me enlouquece e os amores... ah, esses são tão intensos que parecem nunca terem fim nas lembranças. Talvez eu deva aprender a viver mais "enjaneirado" o quanto puder. Sei lá, deve me fazer bem!

O celular vibra, o coração sabe o que deseja ler. A mensagem se compõe em palavras tão inesperadas quanto entusiasmadas. Você parece saber me conquistar mais. E, pra te dizer melhor, a distância que nos mata é a mesma que pode fazer você ser diferente. Bom mesmo é matar saudade, é dizer te adoro com frequência menor e intensidade maior, é ter poucas oportunidades de te olhar mas não conseguir cansar nenhum segundo. Se vai ser o ideal ou não, sou a pessoa menos provável de te responder. Mas que "eu aposto boas fichas nesse jogo" não tenha dúvidas.

"Tanta coisa em comum, deixando escapar segredos!
E eu não sei em que hora dizer, me dá um medo."
Texto de Patrick Moraes

quinta-feira, 19 de março de 2009

Naquele domingo


"And by protecting by heart truly, I got lost in the sounds" (Regina Spektor)
Parece coisa do destino. Aquela manhã de domingo tinha tudo pra ser entediante. Quando o interfone resolve incomodar meu sono. Maior incômodo talvez seria ouvir aquele senhor - talvez nem tão senhor assim - falar, falar e falar. A cama de repente era minha novamente, mas agora o pensamento conseguia dominar aquela delícia de sono que eu tinha. As palavras mencionadas talvez tenham sido na hora exata, "tudo no tempo certo"! Apressar é querer que tudo saia errado, é possivelamente dar um passo em falso e cair nas armadilhas que poderão estar a caminho. Mas sinto falta daquilo que deixei sem terminar. E parece que não terei tempo tão cedo de fazer isso. Meus medos e minha "gritante coragem" talvez estejam em eterno duelo. Por você eu assumiria os riscos? Não sei se vale a pena, mas também não tenho motivos para não querer arriscar. E mais uma vez o passado consegue me prender nesse quarto e me mostrar que liberdade ainda não é meu estágio de vida. Parece que os beijos na escada ficaram para uma outra hora e que o ônibus no qual eu partiria saiu mais cedo que minha confiança em arrumar as malas. As opções as vezes são claras, as decisões que complicam. A noite de sábado poderia ser a mais perfeita do ano, superando aquela de janeiro em que o seu mundo foi apresentado a mim. Poderia ter o melhor sorriso hoje pela manhã e nem mesmo ter ouvido aquele "senhor" no interfone. Mas sabe, Gossip Girl com bolacha de chocolate não é tão mal assim.

Simples escolhas me fazem ser previsível. Quem sabe um dia eu consiga me surpreender e trazer a segurança com o senso de aventura daquele passado. Desvios de rota é natural! O menino não pode dá lugar ao "rapazinho" AINDA.

Texto de Patrick Moraes

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Talvez o jogo comece agora!

"So please don't stay in touch" (Lily Allen)

É quando eu percebo que educação ficou pra poucos. Até anteontem o tratamento era outro, as respostas eram certas e ser sincero era seu lema de ordem. Engano meu apostar as fichas em alguém que nem merecia estar em jogo. Acho que dessa vez você pisou na bola e feio. Se eu não tinha defeitos pra te apontar, agora eu tenho uma lista. Você mesmo fez questão de me mostrar a face que se escondia. Mas te garanto que não tô em prantos por tudo, talvez o sentimento de tristeza não caiba nessa situação. Pensei que era muito, mas talvez nem seja essa a proporção. Você cultivou e conseguiu degradar em instantes. Amizade a gente constrói com verdade, será mesmo que seu diálogo me convence?

É tropeçando que se fica atento e mesmo nas pedras mais pequenas você pode escorregar. Certamente são nessas que levamos os melhores tombos. Pior é que antes de cair, poderia ter te derrubado. Mas quero te ver em pé, grande e erguido, porque assim a "luta" fica mais acirrada. As armadilhas que você constrói as vezes te fazem tropeçar onde menos espera. Mas os dados estão na mesa e a roleta não pára de rodar. Até o fim da partida, muitas cartas estarão sobre a mesa e o cheque-mate te espera.

E sigo.

Texto de Patrick Moraes

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Se eu fosse você...


"I wish you'd never forget the look on my face when we first met" (Kate Nash)

Se eu fosse você eu sonharia com o casamento perfeito. Teria dois filhos, uma cama de casal, moraria no Leblon e escrevia o maior sucesso de vendas literário. Talvez uma trilha num final de semana ou uma praia com aquele pôr-de-sol na Bahia. Um cineminha em plena segunda de noite para começar a semana bem. Aquecer sua mão na minha, fazer carinho, sentir encanto.

Se eu fosse você eu diria todo dia que o melhor é não se prender. Mas diria também que quando o coração acelera é porque valeu a pena. Ou valerá! Tudo uma mera questão de tempo. E talvez sentir saudade é mais angustiante que não ter do que lembrar.

Se eu fosse você apertaria o player do som e dançaria a música da sua vida. Gritaria tudo que está preso na garganta. Nada mal fazer daquele sofá um palco de show, não? E talvez até alguém como espectador para completar a noite.

Se eu fosse você eu esqueceria os amores do passado, mudaria de cidade amanhã e tentaria ser feliz de outra forma. Outro ângulo do quadrado? Uma janela de ônibus me liberta. Ou me prende de vez. Atravessaria a ponte olhando pra baixo e veria que do meu lado tem alguém me protejendo.

Se eu fosse você eu seria exatamente assim.
Singelo, interessante, talvez indefinível,
mas cativante o suficiente para prender.

Texto de Patrick Moraes

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Que comece!


" 'Cos it was on a hidden bit that nobody else could see" (Kate Nash)

A trajetória recomeça, que lancem os dados. Lembro como se fosse hoje começando o ano que passou. Eu fazia planos, bem parecidos com os atuais. Possivelmente não eram concretos a ponto, mas eram intensos. Alguns deram certo, outros... nem tanto. As coisas ocorreram da forma mais exata possível, não pude, e nem quero, mudar uma vírgula do texto. Confiança no tempo foi a grande lição. Convicção e coragem. Se não houver desejo, não haverá verdade! Direção, apontar a rota e seguir. Se não for assim, não vai. E foi!

Com toda liberdade do mundo, eu senti que faltava. Senti falta daquele aconchego de família, aquele carinho de vó. O melhor lugar do mundo reside aqui, nessa cama de quarto que um dia foi meu, debaixo dessa coberta, quentinho, ouvindo Kate Nash. Senti falta daqueles amigos que ficaram longe, daqueles papos que ficaram mais curtos, daqueles abraços que ficaram mais raros. Senti falta daquele colégio que acabou de vez, das aulas chatas em plena segunda de manhã e dos intervalos que quase não havia o que fazer. O trem passou, assim como essa primeira parte da liberdade vai passar. E agora é hora de aprender mais; experimentar, quebrar a cara, saber o que vale a pena.

Planos? Os maiores e melhores possíveis. Quero escrever um texto que eu possa guardar para o resto da vida dentro do baú e lembrar do momento a cada vez que ler. Quero ganhar um livro de presente junto com o cd daquela cantora preferida que eu tanto ouvi no notebook. Quero chorar de saudades daquela amiga que está longe e pular de alegria quando abraça-la. Quero passar um dia inteiro deitado na cama, pensando nas complicações da minha vida e comendo um pote de jujubas. Quero olhar em teus olhos e dizer 'te amo' com a maior verdade que meu coração um dia poderá dizer, pra depois me surpreender com teu beijo.

Mais amor. Mais música. Mais sabedoria.
Quero mais vida.

Texto de Patrick Moraes