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segunda-feira, 5 de maio de 2014

A gente sempre sabe


Pra ler ouvindo Suricato e Lulu Santos

Eu sei que você sente falta de quando eu te mandava mensagem de madrugada só para desejar que você dormisse bem; ou mesmo quando eu te pedia que me avisasse assim que chegasse em casa após sair daqui, onde ainda faz frio depois que você se foi. Eu sei que você ainda deita a cabeça no travesseiro e lembra das noites em que acarinhei teu cabelo enquanto a gente ouvia as minhas músicas preferidas no som do carro e olhava o céu. O céu que dividíamos se tornou o céu que escuta minha saudade em forma de prece para que você volte.

Eu sei que você ainda sente falta de quando eu esquecia nosso aniversário de namoro, mas fingia que era só uma surpresa e te surpreendia com um daqueles textos no finalzinho do dia. Não que os textos fossem fingimentos, mas minha memória nunca foi tão boa quanto meus sentimentos por você. Eu sei que você ainda queria que eu te pedisse para me abraçar antes de dormir porque eu morria de medo que fizesse frio entre a gente. E você me abraçava, beijava meu pescoço e dormia antes mesmo que eu pudesse dizer baixinho “te amo”.

Eu sei que você ainda não sabe se é porque eu fui seu primeiro amor ou se é porque o nosso amor te completará para sempre. E quando a gente conversava sobre futuro e eu te dizia que “para sempre” é coisa de gente sonhadora demais, chata demais, romântica demais. Eu sei que você sabia que eu só queria te fazer morada eterna em mim, mas tinha medo de me decepcionar usando o tal do “para sempre”.

Eu sei que você ainda se pergunta se eu vou estar aqui para quando você voltar, se minha pele ainda sente falta do calor da sua, se ainda vai dar pé tudo aquilo que a gente deixou solto há alguns anos. Eu sei que mesmo com toda dúvida por aí, as certezas por cá também vacilam noite ou outra e eu não sei se nossa casa ainda será desenhada por você. Eu sei que você ainda guarda aqueles desejos miúdos que a gente compartilhou baixinho, quando eu deitava em seu colo pequeno e podia esquecer um pouco o mundo do lado de fora do quarto.

Eu sei de todas as suas lembranças, de todos os meus desejos, de todo o nosso amor. Eu só não sei por quanto tempo você ainda vai ficar aí, por quantos dias eu vou ter que pedir você de volta enquanto olho da janela aqui do quarto ou por quantos anos a gente vai esperar para dizer, enfim, que o nosso amor se tornou “para sempre”.

Texto de Patrick Moraes


Vídeo texto feito por Geovane Peixoto

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

No fim, sussurre


Somos feitos de intencionalidade, de desejos, de vontade de provar que o ângulo certo é formado no encontro dos nossos catetos. Somos um amontoado de mentiras organizadas minunciosamente para forjar uma verdade tão real que finca. Finja, seja apenas mais um artista de praça jogando confetes e malabares e nunca esqueça de sorrir. Ou simplesmente pegue o papel de suposto herói e faça do seu balaio de verdades uma mentira reformulada, criada, conveniente.

Destrua pontes, desfaça ligações, berre! Mas grite com força. Só assim você conseguirá fazer com que os sussurros sinceros sejam transformados em silêncio. O calar envergonhado, o olhar de canto de rosto por sentir apenas desprezo com tanta cena, com tanto palco. E aqui, há quem prefira ficar na coxia, rindo, aprendendo a ser artista com o pouco que lhe sobra nos bastidores, com o muito que lhe é dado nas fichas técnicas e nos roteiros escritos com intuição de quem quer um dia brilhar.

Talvez os fatos espetacularizados aqui não precisem mais tarde de gritos, de inexperiência, de puro sangue melodramático. Basta apenas um sorriso atrevido de quem sempre esteve no atrás-cortina, esperando a hora de pisar firme e dizer que chegou a minha vez!

Na Califórnia é diferente, irmão
É muito mais do que um sonho
.
(Lulu Santos)

Texto de Patrick Moraes