
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Vodka com bem coca

quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Sol de primavera
"Come away with me and I'll never stop loving you" (Norah Jones)
E no final daquela tarde o vidro do carro parecia refletir um desejo angustiado. Olhou o sol que insistia em se pôr e com ele o final de semana ia embora. Ou o pesadelo terminaria ou de repente mais uma tempestade estaria por vir. Era melhor acreditar na certeza de uma manhã clara e uma rotina tão agradável como antes. Pensou na escada, nas tardes do primeiro mês, no sorvete de domingo, nas surpresas da sexta, nas ligações da semana. Sentiu um arrepio na nuca, parecia criança sem brinquedo, adulto sem razão. Explicação era o que menos queria, só sabia que não podia perder todos os grãos que havia plantado, queria ver crescer e bem de perto. O cheiro de pele, o desejo daquela noite, os corpos, os beijos, tudo parecia ter sido escrito nas páginas de José de Alencar em mais um romance. Os olhos de cólera de Capitu talvez tenham encarnado em outra figura, já não sabia até que ponto a inocência dava lugar às más intenções. E maldade nesse caso era o ponto alto de uma sedução. Queria mesmo mostrar que podia, queria ver prazer nos olhos, ver escorrer sobre os dedos a vontade de mais.
Chegou ao décimo e viu que mais um capítulo estava escrito. Com borrões e à tinta preta. Com adornos alternados de espaços vazios. Só lhe restava a lembrança, o coração que apertava parecendo sufocar. Sabia o que era aquilo tudo, mas preferia dizer que era coisa só dele. Aprendeu a ser forte, a não ceder o coração tão fácil, mas perdeu tudo isso quando o segundo mês chegou. Quem disse que ter medo do amor é coisa dos bobos, não sabe de verdade o que é amar. Agora a janela do quarto mostrava um outro pôr do mesmo sol. Com a destreza que tinha, aprendeu um pouco de Narciso, juntou forças e olhou certeiramente para o ego. Mesmo assim, não queria ser só ele, preferia ver as sementes se tornarem árvores, para que a maçã fosse o fruto da tentação, dividida em dois únicos sentidos.
Texto de Patrick Moraes
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Outro dia de sol
"I'm gonna take a little time, a little time to look around me" (Mariah Carey)

Precisava gritar contra o vento que eu tenho um amor. Arrancar as flores do jardim por onde passo, naquela típica cena de filme antigo, e levar as mais bonitas só para te ver. Sentir teu cheiro no simples toque que você deixou na minha pele. Olhar para o lado e ver que não consigo andar mais sozinho. A lista de chamadas recentes do celular não consegue mais ficar sem teu nome registrado.
Precisava sentar na porta da sua casa de noite, olhar em teus olhos e perceber que não podemos fazer nada. Talvez a mesma sensação da pizzaria quando ficamos a sós, das brincadeiras na sala de estar amarela e do nervoso no quarto cor de rosa. Mas o céu estrelado, a porta verde e o papel brilhante de chocolate me dizem que você é quem mais importa e, mesmo sendo assim, é gostoso.
Precisava que isso tudo acontecesse assim. Sem vírgulas, sem pontos, sem reticências. Mas que a cada dia a gente registre um parágrafo coeso.
Texto de Patrick Moraes
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
O você

Mudou porque precisava ser de verdade, precisava de cor especial. Cansei de romance fajuto, cansei de amores falidos. Você é um modelo diferente pra mim, talvez o mais engraçadinho que já tive. É personagem em ação gritando por descoberta, mas sabe esperar o fim do inverno para colher jasmins. Foi pouco tempo, foi muito espaço. Quem pode esquecer os degraus que me fizeram mais feliz? Tua voz no meu ouvido, meus olhos bobos, nosso desejo de parar o tempo. O engraçado é perceber que a fórmula de amar é sempre a mesma, envolve conquista, envolve olhares, envolve o você correr atrás. Roteiro igual acaba tornando o final da trama previsto demais, por isso eu aposto em um ponto de virada que me surpreenda. É, o papel rosa pode até ser bonito, mas há quem prefira o branco que vem dentro. O passeio de mãos dados pode até ser romântico, mas ainda existem outras formas de fazer o coração acelerar.
Agora chega! Falar de você é continuar falando dos vocês com tanta empolgação que acaba perdendo o interesse. Nada melhor que ficar oculto mais uma vez e ganhar teus beijos nos secretos encontros de um dia qualquer. Quero o peito pulsando e no simples aperto de sua mão poder sentir aquele amor de novo.
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Obrigado, anjos!
"E se for, vai levar junto um pedaço de mim." (Claus e Vanessa)

Ando protegido por meus anjos. Ando protegido com as armas do amor que me cerca. E vocês são escudeiros do bem, da minha felicidade. Sabem de cada reação, daquele olhar inesperado, daquele sentido aguçado, daquele coração acelerado e do meu ego gritando baixinho. Do Rio, da Bahia, de Vitória e de todos os cantos. Longe, perto, vendo todos os dias, sumindo algum tempo, me aconselhando, ouvindo conselhos. Cada anjo tem um perfil para me fazer sentir melhor.
Gosto de anjos palhacinhos, anjos pequenos, anjos simples. Gosto de anjos "impuros", anjos secretos, anjos baús. Gosto de MEUS anjos, aqueles que guardarei no coração por maior que sejam os empecilhos. Anjos que saem a noite, anjos que saem de dia. Anjos que conhecem meu gosto pelo sanduíche da lanchonete ali perto, ou mesmo por belezas infantis. Anjos que sabem me fazer feliz em um domingo a noite na varanda da casa de esquina.
terça-feira, 14 de julho de 2009
Podem ser enganos, podem ser verdades!
"Os deuses, as dúvidas. Pra quê amendoeiras pelas ruas?" (Adriana Calcanhotto)
Mais um ponto final. Mais um parágrafo que resolvi começar na estória. As linhas velhas foram gravadas com tanta delicadeza que acabou se desfazendo no meio da narrativa. Você parecia ser personagem principal, ganhava tamanho espaço na trama, que jamais nenhum mocinho conseguiria. Talvez nem mesmo o boneco loirinho com a blusa listrada foi capaz de segurar a corda que eu sempre quis manter. Não, não é problema do herói, nem existe o vilão que derrubou isso tudo! Apenas a trilha sonora chegou na última faixa e o "Kiss Me" não comove mais como antes.
Outro ponto, outro início de situação. Percepções, riscos e uma atitude que nunca existiu. Apareceu sem sentido, como um elemento a mais na forma de escrever. Dialogal demais não serve. Sem temáticas próprias, num rito de curiosidade e desejo. Talvez fôssemos testemunhas de mais um começo, sem fim. Não existe certeza, não existe engano! Existe a intuição, o querer da novidade, das sensações estranhas, imperceptíveis, inusitadas.
O cheiro! Sim, ficou impregnado até hoje! E na noite fria, ao lado da janela que você tanto gostou, eu senti o perfume. Embaçado, o vidro parece ocultar as luzes lá embaixo, lá em cima, onde você prometou escrever um episódio dos meus contos reais. As luzes vermelhas chamam mais atenção e, no meio delas, o céu é azul demais pra mim. Mas da janela do quarto eu consigo enxergar claridade, eu consigo sentir o calor do vento aqui de cima.
quarta-feira, 1 de julho de 2009
O pequeno.
"Há um menino! Há um moleque! Morando sempre em meu coração." (14 Bis)

Vi aquele garoto de pés descalços brincando na calçada. Pipa no céu, coração na mão. Mordia os lábios num sinal de apreensão e nem sequer olhava para o lado. O mundo se passava no carro ali em frente, aquele vermelho que buzina sempre na esquina da confeitaria.
Voar não despertava mais seus instintos. Ele corria, se escondia, brincava de fantasiar o herói do cinema. Ter poder, ser o faroeste americano. Talvez sem a mocinha, talvez sem amores. Sabe ser dos vários um só, mesmo sem usar uma máscara colorida ou de metal.
Balbuciava as palavras novas com tamanha maestria que parecia adulto antes do tempo. Puxou minha blusa e pediu ao "tio" um minuto para uma partida de pião. O sorriso ingênuo, as bochechas rosadas e o desejo de companhia reluziram. Peguei em sua mão e fui apresentado ao mundo mágico da diversão.
Parecia ganhar uma nova infância, parecia saber o significado real de felicidade. A casa velha de um passado, os brinquedos inventados, as bugingangas do baú cor de abóbora. Tudo parecia simplesmente ganhar vida. As memórias foram resgatadas impetuosamente. Olhei o menino e vi um eu de tempos.
Foi quando o bonde passou e o sonho se desfez. A criança partiu pela janela, alçou vôo. Mas o espírito natural fincou em mim. O gosto em brincar, em velejar suavemente o barco até aquele horizonte mais distante. Entendi que o sol pode não aparecer sempre, mas vale a pena sorrir quando os pingos da chuva caírem.
Texto de Patrick Moraes

