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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Paralelas


É tão melhor viver em paz,
Ninguém me faz sentir assim.
(Vanessa da Mata)

Levantei da cama só para escrever o quanto eu senti falta daqueles depoimentos que sempre lia em minha página e guardava só pra mim. Letras roxas, em negrito, com uma dose de paixão tão grande que nunca senti de novo igual. É bom ser egoísta, é bom preservar nossos desejos e saber que quem importa realmente dividia. Eu sei que não existe mais nós, não existe mais o boneco do olho azul, muito menos as nossas intimidades. Tudo ficou diluído nos quase dois anos, nos destinos que seguiram em paralelas talvez nem tão simétricas. E foram pontos humanos para descontruir uma frase que poderia ser longa, mas não adiantava tanta condicionante, tanta causalidade. E antes que você sorria e pense o quanto eu fui idiota e, mais uma vez, estou sendo, eu lembro da ponte. É, a tua recém intimidade misturada com o mesmo riso pelos meus medos. E não seria agora outro medo? O medo de me fazer exposto demais, de te fazer um esperto mago da verdade. O aparente bem estar, a simpática aproximação, o não-saber-prevendo, tudo que acontece não me faz pensar no futuro como algo inovador. Prolongar? Prefiro acreditar que apenas despertaríamos uma profusão de sentimentos apagados, adormecidos. Mas aí eu deito de novo e meu divisor de sonhos apenas me questiona se vale a pena deixar que roubem todas as lembranças que um dia construimos nas paredes brancas do meu apartamento. E eu apenas respondo ao menino dos olhos azuis: talvez não.

No fim, são coisas boas.
No fundo, saudade.

Texto de Patrick Moraes

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Amanhã

É quase um romance. Desligue nossos celulares, três dias pra um começo, vem! (Vanessa da Mata)

Levantei cedo só para olhar da janela o céu ficando claro e poder pensar que amanhã está mais perto de mim. E vi lá do décimo andar uma menina de blusa vermelha andando sozinha, sem livros, sem mochila, despedaçando uma flor aos poucos. Vai ver ela só queria brincar de mal-me-quer e querer cada pétala no chão dizendo o quanto ele a queria. Vai ver meus olhos queriam mais que tudo o amanhã embaçado da noite. Sorri sozinho de repente!

Pão, geléia de morango e um copo de leite morno. Odiava comer pela manhã, mas aquele dia era diferente, era antes de amanhã. Queria até uma amora depois do pão, uma música de Calcanhotto no rádio e apenas uma mensagem na caixa de entrada do celular com duas palavras: te espero! Mania boba de querer controlar tudo, planejar os dias e ter certeza que reciprocidade era a sonoridade de amanhã.

Peguei o carro, liguei o som e tocou aquela música que sempre sonhei ouvir deitado em tua cama, fazendo cafuné e brincando de verdades ocultas. Com certeza iríamos rir depois das besteiras e das manias irritantes que sem querer a gente confessou, mas se a cama fosse de solteiro a proximidade diminuiria a incoerência e faria de simples beliscões um carinho. Cheguei ao destino de hoje, mas a estrada deveria ser bem mais longa do que esperava. Desliguei o carro e fiquei parado por alguns segundos, perdendo aula, mas lembrando das formas estéticas que vivenciei contigo, dias atrás. O feeling que me fez despertar foi o simples bater de galho no vidro da frente. De certo, ele só queria dizer que o amanhã a gente não planeja, a gente simplesmente espera pra viver.

Texto de Patrick Moraes

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Nunca será simples assim


"Amanhã é longe demais pra quem não tem a eternidade" (Vanessa da Mata)

As palavras escritas na tela daquele notebook soaram mal, pareciam não fazer sentido. O que mais queria era ver que tudo não passou de brincadeira. Seria mais um dos meus sonhos matinais, que conseguem me deixar desnorteado. É, sem direção foi como fiquei assim que consegui traduzir toda a situação. E bem hoje que imaginei tantas coisas, fiz tantos planos. Todo mundo esperaria alguma coisa da noite de sábado, mas eu bem queria era não ter vivido a noite de hoje. Queria que nada disso tivesse acontecendo e que amanhã o banco da praça fosse igual, eu esperaria naquele jardim e sua companhia me faria mais feliz naquela tarde. Ilusão, bem certo que amanhã nem te veja descendo a ladeira e sorrindo, fazendo o mundo parar naquele olhar.

Se realmente fosse necessário te ter eu saberia até que ponto eu aguentaria viver sem. Coloquei esperança demais e ser primeiro plano na vida de alguém é mais sério do que imaginei. Não tenho como encher você de defeitos agora, criticar atos falhos ou revirar pequenos detalhes que aconteceram. Foi tudo tão certo, cada momento no seu devido tempo. Mas pena que esse tempo parece estar acabando, pena que não existe uma vontade de lutar junto. Teu passado parece te prender, decepções deixam dúvida e medo.

Escolher nosso destino é traiçoeiro. Fechar os olhos, jogar os dados e acertar a combinação perfeita é muito mais fácil. Pensei que os passos estavam certos agora, que finalmente a vida tinha encaixado as peças certas e o meu quebra-cabeça estava quase completo. Parece mesmo é que a peça-chave estava errada ou quem sabe foi roubada do meu saco de brinquedos.

Você era a certeza duvidosa que eu tinha.

Texto de Patrick Moraes

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Paga pra ver!


"Eu não quero saber, você vai desdenhar e vai perder" (Vanessa da Mata)

Agora é sério! Questão de honra própria. Preciso dá um tempo pra mim, começar a descobrir que eu posso ser mais do que imagino. Que mesmo sem você eu posso ser feliz. É hora de colocar um ponto final nas eternas reticências que costumava empregar. É hora de construir o novo texto em um novo contexto. Cansei de sofrer, de me apegar, de ser sempre o idiota da história. Parece que é sempre o mesmo filme, o mesmo conto de fadas, só que nesse caso a bruxa é mais esperta que o mocinho.

Mudança de comportamento, mudança de olhar. É isso, mudar! Preciso aprender a ser próprio, a ser exatamente como você é. Quer que eu seja bem sincero? Acho que eu posso ser bem mais que você e fazer muito melhor aquilo que você pensa ser o máximo. O menino bonzinho que você encontrou pode ser cruel quando desejar. Você pagou pra ver, pode apostar que o preço vai ser bem caro. A história vai começar agora, a estrada eu vou fazer sozinho, mesmo que isso me custe alguns arranhões. Maior que a ferida é ver na cicatriz um gesto de bravura.

Boa sorte na sua vidinha, porque a minha só está começando!

Texto de Patrick Moraes