quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Paralelas


É tão melhor viver em paz,
Ninguém me faz sentir assim.
(Vanessa da Mata)

Levantei da cama só para escrever o quanto eu senti falta daqueles depoimentos que sempre lia em minha página e guardava só pra mim. Letras roxas, em negrito, com uma dose de paixão tão grande que nunca senti de novo igual. É bom ser egoísta, é bom preservar nossos desejos e saber que quem importa realmente dividia. Eu sei que não existe mais nós, não existe mais o boneco do olho azul, muito menos as nossas intimidades. Tudo ficou diluído nos quase dois anos, nos destinos que seguiram em paralelas talvez nem tão simétricas. E foram pontos humanos para descontruir uma frase que poderia ser longa, mas não adiantava tanta condicionante, tanta causalidade. E antes que você sorria e pense o quanto eu fui idiota e, mais uma vez, estou sendo, eu lembro da ponte. É, a tua recém intimidade misturada com o mesmo riso pelos meus medos. E não seria agora outro medo? O medo de me fazer exposto demais, de te fazer um esperto mago da verdade. O aparente bem estar, a simpática aproximação, o não-saber-prevendo, tudo que acontece não me faz pensar no futuro como algo inovador. Prolongar? Prefiro acreditar que apenas despertaríamos uma profusão de sentimentos apagados, adormecidos. Mas aí eu deito de novo e meu divisor de sonhos apenas me questiona se vale a pena deixar que roubem todas as lembranças que um dia construimos nas paredes brancas do meu apartamento. E eu apenas respondo ao menino dos olhos azuis: talvez não.

No fim, são coisas boas.
No fundo, saudade.

Texto de Patrick Moraes

Um comentário:

Tássio disse...

Posso te contar um segredo?
meus olhos brilharam quando li esse texto.
Muito lindo!

"Um amor de linhas paralelas que talvez se encontre no infinito"