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quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Primeiro de janeiro


There's no other love just like this. [Rihanna]

Aquele dia meu coração resolveu escrever uma carta de despedida. É. Daquelas que a gente engole o choro e pede inspiração para saber a palavra certa para começar. Não existia certeza de nada que não fosse o amor. Minto. Existia a raiva do destino, que simplesmente atiçou no vento a única coisa que eu tinha construído com paciência e dedicação. Mesmo assim, escrevi.

"Você foi o que eu mais amei nos últimos meses e o que eu levarei todos os dias do próximo ano. Um ano que já vem pintado de cinza. Sem tons. Sem vida. Sem você."

As lágrimas simplesmente se misturaram com o sorriso que fingi. Por impulso, trai aquele coração amargurado, saudoso e impaciente. Sai correndo e me atirei no escuro de um lugar que foi nosso. Desisti. Eu tinha sido o mais fraco; eu tinha sido simplesmente aquele que soltou a corda da paciência e partiu o que chamamos de 'nós dois'. 'Nunca' poderia ser o advérbio-consequência daquela noite. Desde então, meu coração nunca mais me perdoou.

Na manhã seguinte não fez sol.
Na manhã seguinte, você se escondeu.
E na outra e na outra e na outra.

Um belo dia, me lembraram que nem sempre o destino acompanha o roteiro do coração. Nesse dia, despi o luto, a alma e as lágrimas. Minutos depois, vesti um sorriso, uma nova crença e a saudade. Aquele dia fez sol. Foi aí que eu descobri que, ainda assim, você continua fazendo sombra na parte que eu traduzi em mim como amor.

Texto de Patrick Moraes

terça-feira, 26 de abril de 2011

Zona de conforto


Like I'm the only one that's in command
Rihanna

Não compreendi muito bem as últimas palavras que você me disse assim que saiu da porta de minha casa. Pra falar a verdade, prestei tanta atenção em teus olhos marejados de um sentimento confuso pra mim, que se quer decifraria meia dúzia de palavras saindo da sua boca. Só sei que ainda te guardo em cada simples detalhe e, insuportavelmente, te menciono nas conversas de bar que tenho com cada nova oportunidade de um novo amor. Meu problema é justamente esse, tentar te achar em cada novo encontro, em cada descoberta. Não existe redescoberta de você, a não ser que seja contigo e isso é barco furado com destino certo: o naufrágio.

E me pego pensando o quanto Murphy insiste em roubar a reciprocidade da minha vida. O quanto meu olhar detalhado desnuda cada pessoa em busca de uma perfeição, onde até mesmo os defeitos devem ser perfeitos pra mim. Não acho que esteja errado em querer pular fora na primeira tentativa de suicídio que me provocarem, na primeira repulsa por uma atitude que simplesmente não se encaixe. Mas acho bem triste não conseguir me livrar da espera pelo cavalo branco. Não existe contos de fadas em histórias onde o mocinho também encarna o vilão. Definitivamente, papéis bem definidos não entram em meu roteiro e isso acaba apontando direções que me perco antes mesmo de chegar. O pote de ouro, é isso! Talvez esteja atrás dele, escondido entre um galho seco e uma folha recém caída do pé. O problema é a rota, a infinidade de tropeços e a minha incansável necessidade de virar a direita quando todos mandam seguir em frente.

E nesses atalhos, ou caminhos alternativos, ou buscas desesperadas por uma esconderijo secreto, que eu encontro divertidas razões para sorrir. Mesmo que temporárias, mesmo que doídas, mesmo que ordinariamente efêmeras. São nelas que consigo descobrir pedacinhos invisíveis de mim, de mudanças contínuas, de curiosidade por outros espaços preenchidos aqui dentro. É um você que reflete os pequenos deslizes e as grandes bagunças, um você que tem tanto de mim, mas com marcas que um dia eu tive e cansei de expô-las. O pior é pensar que consegui abandonar a minha essência e perceber que isso é querer negar uma verdade através de um argumento fundando em mudança. Mudar é adequação. Mais cedo ou mais tarde, você se dá conta que adequou o que tinha aos espaços que te deram agora de uma forma diferente.

E com tantos caminhos trocados, papéis invertidos, mudanças que acontecem sutilmente e um incômodo bobo que marcou o passado, é hora de entender o quanto a zona de conforto te cabe. Sem aperto, sem estar excessivamente folgada, mas na medida certa para entender que as dimensões da sua vida podem ser ocupadas sem se preocupar com os objetos que você carrega do lado.

Texto de Patrick Moraes

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Vamos mudar?


"I Know that I must pass this test so just pull the trigger" (Rihanna)

E quando levantei ainda vi aquele mundo em tons pastéis se passando. A árvore da frente ainda esverdeava, a cachorrinha vem de manhã e deita aos meus pés e o mundo continua parado. O meu mundo, só pra ser mais claro! Parece que as tão sonhadas férias perderam o valor na cidade das praças. Outrora eu me convencia com tão pouco, hoje eu quero mais. Nesse mais nem precisa existir você, só precisar conter ingredientes para fermentar meu bom humor. Pode ser uma noite de excessos, que comece na frente do espelho de casa e termine com os sapatos na mão voltando alguma avenida desconhecida. Se o preço for uma ressaca - até moral, que me deixa o domingo inteiro sem saco de olhar pra ninguém - eu estou aceitando.

Parece que o ano começou com cara de tédio. E mesmo cumprindo um dos 51 itens que escrevi como metas audaciosas - só pra não dizer outra coisa -, eu preciso de mais. Vamos dobrar a coragem, aumentar as oportunindades e multiplicar os copos. Quero me aventurar e escrever os prometidos 25 textos com cara de novidade. O pior é imaginar que todos eles envolvam algum sentimento que cansei de tentar ou mesmo o tapa de luva que tanto recebi.

Nem sempre a árvore da porta de sua casa vai florescer no outro dia. A cachorrinha pode acordar tão disposta e esquecer que precisa de seus pés por mais uns 5 minutos. Mas a grande virada de mesa só depende de quem está disposto a encarar mais um jogo com as cartas que têm. Afinal, o blefe é a arma mais poderosa de um bom jogador!

Texto de Patrick Moraes