quinta-feira, 11 de março de 2010
O tipo errado
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Um ponto que brilha
Certa vez olhei pro céu e vi uma estrela. Brilhava tanto que meus olhos ardiam, mas era de desejo, de admiração, de apreço pra tê-la. Sentado na porta de casa eu sonhava em crescer tanto a ponto de poder alcançá-la. Ao menos toca-la uma vez, era isso! A bola não tinha graça, as cores até me envolviam durante o dia. Mas se quer esqueci um segundo daquele ponto em meio ao preto.
Foi de repente que me apresentaram o sol. É, aquele todo poderoso, que é capaz de incendiar o ambiente e até corar os mais azuis. Era tanto brilho que eu pensei ser ele meu novo sonho. Mero engano, ainda era apaixonado pela estrela. Pequena, delicada, mas brihante o suficiente. Era terno tê-la, era meu pequeno conto de aprendiz.
E veio a lua, vieram as histórias de Marte, a sedução de Vênus, a distância de Plutão e todos aqueles meteoros que viram história em quadrinho. Conheci, me dispus a entendê-los, a saber como cada canto de um Universo pode ser. Pequei por querer mostrar a superioridade da estrela aos demais, pequei por achar minha estrela era maior que a de todos e esquecer por momentos da individualidade cósmica. E mesmo pecando, eu fui capaz de reter a estrela em mim, internamente, e relutante a transformei em minha verdade.
No conto de aprendiz não existe verdade certa ou errada, só a existe e ponto. Talvez todo resto seja mais interessante que o puro julgamento dos habitantes Terrestre. Mas certamente o cosmo é enorme demais para eu vagar, caminhar, conhecer e sentir. Porque sentir é manifestação da felicidade, e pra eu ser feliz só preciso da minha estrela segura, alta e incandecente.
sábado, 23 de janeiro de 2010
A infinita janela de casa
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
De pote vazio
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Vamos mudar?
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Vodka com bem coca
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Sol de primavera
"Come away with me and I'll never stop loving you" (Norah Jones)
E no final daquela tarde o vidro do carro parecia refletir um desejo angustiado. Olhou o sol que insistia em se pôr e com ele o final de semana ia embora. Ou o pesadelo terminaria ou de repente mais uma tempestade estaria por vir. Era melhor acreditar na certeza de uma manhã clara e uma rotina tão agradável como antes. Pensou na escada, nas tardes do primeiro mês, no sorvete de domingo, nas surpresas da sexta, nas ligações da semana. Sentiu um arrepio na nuca, parecia criança sem brinquedo, adulto sem razão. Explicação era o que menos queria, só sabia que não podia perder todos os grãos que havia plantado, queria ver crescer e bem de perto. O cheiro de pele, o desejo daquela noite, os corpos, os beijos, tudo parecia ter sido escrito nas páginas de José de Alencar em mais um romance. Os olhos de cólera de Capitu talvez tenham encarnado em outra figura, já não sabia até que ponto a inocência dava lugar às más intenções. E maldade nesse caso era o ponto alto de uma sedução. Queria mesmo mostrar que podia, queria ver prazer nos olhos, ver escorrer sobre os dedos a vontade de mais.
Chegou ao décimo e viu que mais um capítulo estava escrito. Com borrões e à tinta preta. Com adornos alternados de espaços vazios. Só lhe restava a lembrança, o coração que apertava parecendo sufocar. Sabia o que era aquilo tudo, mas preferia dizer que era coisa só dele. Aprendeu a ser forte, a não ceder o coração tão fácil, mas perdeu tudo isso quando o segundo mês chegou. Quem disse que ter medo do amor é coisa dos bobos, não sabe de verdade o que é amar. Agora a janela do quarto mostrava um outro pôr do mesmo sol. Com a destreza que tinha, aprendeu um pouco de Narciso, juntou forças e olhou certeiramente para o ego. Mesmo assim, não queria ser só ele, preferia ver as sementes se tornarem árvores, para que a maçã fosse o fruto da tentação, dividida em dois únicos sentidos.
Texto de Patrick Moraes


