domingo, 10 de abril de 2016

Quando a gente terminou


Para ler ouvindo "Pois é"

Um dia me contaram que amar é como cultivar uma flor. No começo, você não consegue nem imaginar quais as cores que virão, mas acaba insistindo na terra molhada e na paciência. Aos poucos, as coisas tomam forma e os primeiros sinais de beleza já podem ser vistos naquele pequeno lugar que você aprendeu a chamar de seu. De repente, as pétalas aparecem e o encanto é tão grande que não cabe no peito tamanha alegria. Mas aí você precisa continuar regando, continuar acreditando dia após dia que nada continua florido se você não entrega um pedacinho de amor.

Só que, nos melhores jardins, algumas flores acabam morrendo. E foi aí que a gente terminou: quando você esqueceu que amor não cresce sozinho. A gente terminou quando perdemos a mania de naturalmente fazer o outro feliz; quando deixamos de ler os olhos do outro para alimentar nossos próprios egos. A gente terminou assim que viramos a esquina carregando no peito uma porção de orgulho. É que não cabe ser feliz sozinho quando se fala em amor a dois. Não cabe calar quando o peito aperta. Viver a dois é ser sorrisos e lágrimas juntos, ainda que custe abrir mão de outras coisas.

A gente se perdeu no caminho por acreditar mais em si mesmo do que em nós dois. Parecia que seríamos um casal até o último dia, com todas as histórias, lembranças e fotografias em que não estaríamos forçadamente sorrindo. A gente se perdeu por esquecer diariamente de se encontrar nos pequenos detalhes da vida. E quantas vezes a gente traçou nosso futuro em linhas que se encontravam no amor? Quantas vezes a gente sussurrou o quanto seríamos eternos? Pobres apaixonados. Acreditam no “felizes para sempre”, mas esquecem de fazer do hoje o lugar mais seguro e amável.

Perdemos todas as chances de dizer “eu te amo” por puro medo de ser cedo demais. Mas o tempo é tão relativo que não deixa claro quando o fim está perto. Nós esquecemos de remar, esquecemos de ajustar as velas, esquecemos de nos prevenir da chuva. Foi aí que nosso barco afundou. Só restaram as lembranças, algum resto de pétalas que foram morrendo com o tempo e uma nova semente escondida. Outra hora, meu bem, a gente decide plantar novamente o amor e cultivá-lo até o fim.

Texto de Patrick Moraes
Foto de Geovane Peixoto

4 comentários:

pericles disse...

Amor..o amor!!!
Cabe a ele - o amor - todos os comentários e nenhum comentário ao mesmo tempo...
Parabéns amigo, belo texto, bela realidade.

pericles disse...

Amor..o amor!!!
Cabe a ele - o amor - todos os comentários e nenhum comentário ao mesmo tempo...
Parabéns amigo, belo texto, bela realidade.

Amanda Silveira disse...

"E foi aí que a gente terminou: quando você esqueceu que amor não cresce sozinho". Quero um livro seu s2

Caio vinicios disse...

Caro Patrick, como sempre suas palavras são perfeitas. Parabéns!