domingo, 30 de janeiro de 2011

Confessional Dois


Eu sei guardar segredo
Eu sei amar.

(Sandy Leah)

Troquei a blusa, tirei o tênis, peguei um pedaço de papel velho e escrevi a palavra mais importante do mundo nessa noite: CANSEI. É, nada mais me basta e dizer isso parece nem bastar para que meus sentidos se dêem conta e saiam em busca de um outro cansaço menos fadigado. Olhei pra trás e percebi que as últimas marcas pisadas nem de lama eram, ficaram tão fracas que mal consigo deduzir de que lado que eu vinha. A caneta começou a falhar bem na hora que eu ia escrever as primeiras letras da palavra amor. Só podem estar de brincadeira! Eu sei que amor que se preze a gente não encontra na esquina, meia noite de um sábado. Acredito mesmo é na fila da carne dentro do supermercado, em uma saída despretensiosa para comprar o pão ou, fatalmente, em uma batida de carro na esquina do prédio.

E se desespero é sinônimo de carência, talvez meu dicionário precise de algo um pouco parecido para conseguir explicar o meu desassego. A ideia de estabilidade me parece agora a pior possibilidade, preciso é de tremor, calafrios e uma necessidade angustiante no peito de repetição. Ser livre me basta até o ponto em que não sei mais pra onde dirigir e, em meio a ruas desertas, resolvo fazer a volta, pela contramão, e estacionar em casa. Subo, 65 degraus, e deito. Aqui talvez me baste e aqui talvez eu queira voltar sempre que doer. Uma hora da manhã, a noite terminou!

Texto de Patrick Moraes

3 comentários:

Luccas Trindade disse...

nossa cara, só hoje fui ver seu comentário. queria agradecer e dizer que agora sou frequentador assíduo do seu blog, me encantei com o teor dele.




=D
see ya

Daniel Borges disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Daniel Borges disse...

Não conhecia esse lado do trick. Estou encantado com as palavras.